Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
aproveito para agradecer ao álcool a eutanásia dos sentimentos aos cabelos compridos a certeza das sombras que combatem a luz à miopia a distorção da realidade porque o que é a realidade senão a distorção dos homens ah doce misantropia que fazes sentido quando já não posso mais hoje sonhei contigo acordei a transpirar sofucado na tua memória não percebo porque ainda não compreendo o teu poder e sou eu que o dou sendo fraco sendo capaz de ouvir a tua voz entre a escuridão não te amo ou será que amo não me poderes amar não sabes o que eu grito se soubesses que cada poema guarda um passo para o meu suicídio que dirias se apagasse este cigarro nos pulsos gostava de rezar mas sei mais que a religião e a ordem suposta do mundo será isto o desespero saber que não sou um de vós a que se auto-intitulam de humanidade se a humanidade for o crime a perversão a violação deixem-me ser animal abandonado já nada sinto porque sinto tudo e a soma de todos os sentimentos é a apatia porque não sei como lidar com a minha alma se tal coisa existe quero rir e chorar rir porque a minha perdição era previsível e cedi chorar porque a minha perdição era previsível e falhei como falhei com o universo e talvez contigo desenha o meu retrato a carvão se compreenderes isso compreenderás este poema a minha vida a minha perdição
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